terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Do Jornal da Paraíba - Morte de grávidas cresce mais de 83% na Paraíba


Ao todo, 271 paraibanas já perderam a vida em decorrência 
de complicações obstétricas no Estado ( Foto: Reprodução Internet )


Apesar de ampliar a assistência prestada às gestantes, a Paraíba ainda não conseguiu deter o crescimento da mortalidade de mulheres durante o período de gravidez. Em 14 anos, o número de óbitos provocados por problemas na gestação aumentou em 83,33%. Saiu de 12 registros em 1999 para 22 em 2012.

Ao todo, 271 paraibanas já perderam a vida em decorrência de complicações obstétricas no Estado. Outras 29 também morreram após sofrer um aborto. Os dados são do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

As cidades que mais tiveram registros foram João Pessoa (41), Campina Grande (28), Patos (9), Santa Rita (8), Esperança (7), Bayeux (6), Juripiranga (5), Barra de Santana (4), Alhandra (4), Itaporanga (4), Seridó (3).

Para o ginecologista Geraldez Tomaz, membro da Sociedade de Ginecologia da Paraíba e representante do Estado na Sociedade Brasileira de Ginecologia, a mortalidade é reflexo da deficiência na realização dos exames de pré-natal. Ele explica que muitas complicações durante o parto são provocadas por doenças que poderiam ser diagnosticadas e tratadas ainda na fase gestacional.

“Cardiopatias, diabetes e pressão alta podem causar pré-eclampse ou eclampse propriamente dita e até má formação ou crescimento elevado do feto. São problemas que já poderiam vir à sala de parto sob controle, se a paciente estivesse recebendo assistência adequada no pré natal”, afirma.

Com 45 anos de experiência no atendimento obstétrico, o médico, que também é professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), também afirma que algumas deficiências laboratoriais também dificultam o atendimento médico à gestante. “Às vezes, o médico recebe resultados de exames com atraso de 30, 60 e até 90 dias. E ainda assim, os laudos não dizem nada. Não trazem nenhum detalhamento do que a mulher possui, o que faz o médico solicitar o exame novamente e, com isso, as doenças vão se acumulando”, lamenta.

Outro problema que também aumenta o risco de mortalidade é a realização desnecessária de cesarianas. Segundo o médico, essa cirurgia só deve ser feita em determinadas condições, mas está sendo banalizada. “Nos hospitais públicos, elas já são 30% dos partos e nos particulares, mais de 90%. Isso precisa ser revisto, porque as pacientes ficam mais suscetíveis a sofrer de infecções e de apresentar problemas de cicatrização”, conta Geraldez Tomaz.

“Temos que trabalhar para ter um pré-natal bem organizado, com médico, enfermeiro e psicólogo e nutricionistas, se houver necessidade. Só assim iremos reduzir as mortes maternas”, observa.

Fonte: Nathielle Ferreira – Jornal da Paraíba





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