A Igreja Católica tem um novo papa: o cardeal argentino
Jorge Mario Bergoglio, 76, arcebispo de Buenos Aires, foi o escolhido. Ele
adotou o nome de Francisco I. A fumaça branca liberada pela chaminé da Capela
Sistina às 19h05 (horário local, 15h05 em Brasília) desta
quarta-feira (13) sinalizou que os 115 cardeais chegaram a um nome de consenso.
O novo papa foi anunciado em latim, da sacada da Basílica de São Pedro, cerca
de uma hora depois. O conclave começou na última terça-feira (12).
O nome do papa foi anunciado após o
tradicional "habemus papam" (temos um papa) para a multidão
reunida na praça. Este é o primeiro papa latino-americano e o nome adotado por
ele é inédito. A escolha do cardeal foi uma surpresa, já que seu nome não
figurava entre os mais cotados nos bastidores e nas casas de aposta.
Em seu primeiro pronunciamento, o papa pediu aos fiéis que
orem por Deus para que ele abençoe seu caminho, que "deve ser de amor
e irmandade" e brincou com sua nacionalidade ao dizer:
"parece que os cardeais foram buscar o novo pontífice no fim do
mundo".
Jorge Mario Bergoglio recebeu ao menos 77 votos dos
cardeais-eleitores, o que configura dois terços do total.
A Praça de São Pedro entrou em uma explosão de comemorações
depois que a fumaça branca surgiu da chaminé. Os sinos da Basílica de São Pedro
repicaram dando a boa nova ao pontífice, que passou à chamada sala das lágrimas
para se vestir com batina branca e sapatos vermelhos. As pessoas presentes na
praça se abraçaram, choraram e se encaminharam à Basílica para receber o novo
papa e ouvir suas primeiras palavras ao mundo como pontífice.
A eleição do novo papa vem após a súbita e surpreendente
renúncia de Bento XVI, de 85 anos. Ele deixou o cargo no último dia 28 de
fevereiro, alegando não ter mais forças para liderar a Igreja, em um
momento em que ela enfrenta vários problemas, dos escândalos de abusos sexuais
às acusações de corrupção no Banco do Vaticano.
O conclave anterior, de 2005, durou dois dias e levou três
rodadas de votação para eleger Joseph Ratzinger como novo papa -- exatamente
como a escolha deste ano.
Perfil
Bergoglio, agora papa Francisco I, nasceu em 17 de dezembro
de 1936 na capital argentina, filho dos italianos Mario Bergoglio, um
funcionário ferroviário, e Regina.
Ele cresceu na capital argentina, onde começou a estudar e
se formou como técnico químico, mas pouco depois escolheu o sacerdócio, decisão
que o levou ao seminário do bairro portenho Villa Devoto.
Em 1958, começou o noviciado na Companhia de Jesus, e por
isso se mudou para Santiago do Chile, onde realizou estudos humanísticos e, em
1964, retornou a Buenos Aires para se dedicar ao ensino de Literatura e
Psicologia no colégio de El Salvador.
Cursou Teologia entre 1967 e 1970 na Faculdade de Teologia
do Colégio de San José, em San Miguel de Tucumán (norte da Argentina).
Seu sacerdócio começou em 13 de dezembro de 1969, ano no
qual foi à Espanha para completar seu terceiro 'probandato' (período que serve
para preparar intelectualmente os jovens sacerdotes) na Universidade Alcalá de
Henares de Madri.
A docência desempenhou um papel muito importante na
biografia do cardeal Bergoglio, já que ele deu aulas em diversos colégios,
seminários e faculdades.
Em 1972, retornou à Argentina, após seu período na Espanha,
para trabalhar como mestre de noviços em Villa Barilari, na cidade de San
Miguel, no norte do país.
Além disso, entre 1980 e 1986, foi professor na Faculdade de
Teologia de San Miguel e reitor do colégio máximo da Faculdade de Filosofia e
Teologia, cargos que compartilhou com o de pároco da igreja Patriarca San José,
também na cidade de San Miguel.
Em 1986, retornou à Europa, concretamente à Alemanha, para
finalizar sua tese doutoral, mas foi transferido à cidade de Córdoba para
trabalhar como diretor espiritual e confessor da Companhia de Jesus.
Sua nomeação como bispo aconteceu em 20 de maio de 1992,
quando o papa João Paulo II o designou bispo da diocese de Auca e bispo
auxiliar da diocese de Buenos Aires.
Cinco anos mais tarde, em 1997, foi nomeado arcebispo
coauditor de Buenos Aires e, em 1998, após a morte do arcebispo e cardeal
Quarracino, se tornou arcebispo de Buenos Aires.
Bergoglio teve uma grande presença na Conferência Episcopal
Argentina, instituição que presidiu durante seis anos, de 2005 a 2011, e entre
suas publicações mais conhecidas estão 'Meditaciones para religiosos'
('Meditações para religiosos'), de 1982, 'Reflexiones sobre la vida apostólica'
('Reflexões sobre a vida apostólica'), de 1986, e 'Reflexiones de esperanza'
('Reflexões de esperança'), de 1992.
O agora papa Francisco, que foi criado cardeal no
consistório de 21 de fevereiro de 2001, presidido por João Paulo II, é membro
da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, do Conselho
Pontifício pela Família e da Comissão Pontifícia pela América Latina.
Fonte: Noticias.Br.msn.com
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