terça-feira, 18 de agosto de 2015

Jovem viaja 4 mil km para conhecer paraibano que o ajudou a vencer câncer com doação de medula


Transplante aconteceu há dois anos

O Hemocentro Regional de Campina Grande registrou, nessa segunda-feira (17), o primeiro encontro entre um doador de medula óssea e o seu receptor, que saiu de Ouro Preto do Oeste, em Rondônia, a quase 4.000 quilômetros de distância, para conhecer a pessoa responsável por salvar a sua vida.
O técnico em informática Márcio Franklin Morais Silva, de 24 anos de idade, fez o cadastro como doador de medula óssea em 2012 e seis meses depois foi informado pelo Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), que cadastra os doadores e receptores do país, de que teria sido localizado um receptor compatível.
O receptor, no caso, era o pecuarista Gabriel Lopes, de 25 anos, morador no interior de Rondônia, que, em 2011, tinha sido diagnosticado com leucemia mielóide aguda, o tipo mais comum entre adultos.
Durante dois anos Gabriel realizou quimioterapia e neste período, duas irmãs suas apresentaram compatibilidade de 60%, percentual não indicado para o caso de transplante de medula. Então ele foi informado pelo Redome de que havia sido localizado um doador 100% compatível, mas até então não sabia quem seria ele.
Em agosto de 2013, Márcio fez a retirada da medula no Recife e Gabriel recebeu a medula em Barretos-SP, onde realizava o seu tratamento. Os dois contaram que sempre tiveram vontade de conhecer um ao outro e em fevereiro, após liberação do Redome, começaram a fazer contatos através de redes sociais.
O encontro entre doador e receptor, no entanto, aconteceu somente agora, exatamente dois anos depois da realização do transplante de medula. No Hemocentro, os dois falaram sobre o encontro e Gabriel relatou os momentos difíceis que enfrentou desde o diagnóstico e o tratamento, quando chegou a pesar 40 kg, quase a metade do peso normal. Mas definiu em uma palavra, agradecimento, o gesto de Márcio, que ajudou a salvar a sua vida. Márcio, por sua vez, disse que faria tudo outra vez.
Este foi o terceiro caso registrado pelo Hemocentro de Campina Grande em que o transplante foi realizado e o primeiro em que doador e receptor se encontraram. A probabilidade, em caso de doador e receptor dentro do país, é de um a cada 100 mil casos. Em casos de compatibilidade entre pessoas de países diferentes, a probabilidade é de um a cada 1,1 milhão. O Hemocentro Regional de Campina Grande possui atualmente, aproximadamente 27 mil doadores cadastrados de medula óssea.
O cadastramento para doação de medula é feito através do preenchimento de um formulário com dados pessoais e a coleta de aproximadamente 5 ml de sangue. O doador de medula óssea pode ter de 18 a 55 anos de idade e a única contra-indicação é que a pessoa seja portadora ou já tenha tido câncer. O sangue será tipado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório para identificar suas características genéticas, e passa então a constar no Redome, onde as informações dos doadores e pacientes são cruzadas em busca da compatibilidade.
Do Portal Correio

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